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A SCAP – Semana de Ciência, Arte e Política da PUC Minas São Gabriel é um evento elaborado e realizado por todos os cursos e setores da Unidade cujo objetivo principal é investir na formação geral da comunidade acadêmica e externa, promovendo a discussão de temas contemporâneos e interdisciplinares. A partir da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, o evento realiza debates acerca de questões contemporâneas e fundamentais para a formação humana. Em sua décima primeira edição, a SCAP apresenta como desejo de debate um conjunto de assuntos relacionados aos desafios enfrentados no Brasil contemporâneo e a urgência de pensarmos futuros alternativos para o presente. E é a partir deste desejo que chegamos ao tema Cartografia das Urgências: estratégias possíveis. Agora que mais uma barragem de rejeitos de mineradora se rompeu [quantas tragédias mais nós aguentaremos?]; agora que o desmatamento na Amazônia chega a proporções inadmissíveis; agora que as águas dos oceanos estão tomadas por lixo plástico; agora que as geleiras estão a derreter a passos rápidos e incontroláveis; agora que as abelhas e insetos polinizadores estão ameaçados de extinção; agora que não cessam de se manifestar fenômenos climáticos extremos como incêndios florestais, ciclones, inundações, estiagem prolongada; agora que populações inteiras são obrigadas a migrar como vítimas do regime climático e econômico; agora que caminhamos para uma trágica redução da biodiversidade; agora que grupos de pessoas acreditam que a terra é plana, que negam a existência do holocausto durante a Segunda Guerra Mundial e o golpe militar em 1964 no Brasil; é chegada a hora de indagarmos sobre alguns sinais do presente que podem ser decisivos no futuro. A conexão entre as urgências temáticas encontra na arte seu ponto de partida. Escolhemos sobretudo o cinema, entendendo-o como forma de pensamento. Assim como Cezar Migliorin, acreditamos que no mundo hiperpovoado de imagens e clichês, o cinema pensou e produziu intensamente sobre as formas de resistência com as imagens e nos permite, de maneira singular, pensar as narrativas que o transcendem, as formas de vida, as relações subjetivas, o Brasil e o mundo. Entendemos que refletir sobre as urgências, exige-nos não necessariamente o discurso da urgência, mas talvez de outra temporalidade , paciente e inventivo. Para isso, elegemos como centro da reflexão “as garantias de vida” e a sobrevivência de outras formas de vida, a partir de quatro eixos norteadores: a Sociedade, os Saberes, o Lugar e a Vida. Os eixos estão delineados do ponto de vista do humano, mesmo reconhecendo que todos os seres vivos devem ser considerados numa reflexão sobre a vida e a sobrevivência do humano. O cinema pode abrir uma passagem nesta reflexão: Pensando a Sociedade (eixo 1). Packyî e Tamanduá vivem nus com um facão, um machado cego e uma tocha no meio de uma área protegida na Floresta Amazônica, cercada por madeireiros, garimpeiros e fazendeiros. São índios nômades e sobreviventes do povo Piripkura (povo borboleta). E é somente pela presença deles que a área é mantida sobre proteção, mais precisamente sob “restrição de uso”. Jair Candor, servidor da Funai, realiza expedições periódicas para monitorar os vestígios que comprovem a vida deles na floresta. A cada dois anos é preciso justificar a restrição de uso da terra perante a Justiça. E sem a presença deles é muito provável que esta área de floresta ilhada pelo desmatamento provocado pelas madeireiras, pelas fazendas de gado e pelo garimpo, já teria sido destruída. Até onde vão conseguir resistir? Até onde a Funai vai existir e ter condições de proteger a vida destes sobreviventes e da floresta? Esta é a pergunta de Jair Candor, é a pergunta do filme e é também a pergunta do antropólogo Rubem Caixeta. A expedição realizada por Jair em 2016, daria origem ao fascinante e dilacerante documentário Piripkura (de 2017), de Mariana Oliva, Renata Terra e Bruno Jorge, que acompanham a busca da equipe de Candor por vestígios e rastros que pudessem levar ao encontro da equipe de indigenistas com os indígenas. Esse encontro finalmente viria a acontecer quase ao final do filme, e por vontade unilateral dos dois, que saem de seu “isolamento voluntário” na mata da qual conhecem cada centímetro e na qual se “camuflam” com maestria, em busca de fogo para reacenderem a tocha, único artefato que carregam consigo e sempre junto aos corpos completamente nus. E é Jair Candor que conta no filme que a última vez que a tocha de Packyî e Tamanduá se apagou foi há quase 20 anos. É surpreendente e emocionante o encontro do filme com os dois Piripkura que não precisam de nada para viver, apenas da floresta em pé. Como diz Rubem Caixeta, “enquanto existirem [já que seu povo foi quase exterminado], é preciso garantir que existam do jeito que desejam, garantir a floresta na qual eles vivem e, talvez, com isso, sejamos nós, os brancos, que possamos viver um pouco mais, ou empurrar o fim do mundo um pouco mais pra frente.” Pensar com o filme é pensar sobre urgências do presente para um futuro possível. É pensar um mundo onde “tudo é necessário e nada é suficiente”, ou um mundo onde “muito pouco é necessário, quase tudo é suficiente”. O cinema é também um dispositivo de encontros. O “ver junto” na sala escura é deixar-se afetar pelo outro (da tela) e por uma reflexão conjunta (da tela e da sala) que nos mobilize e transforme. Pensando os Saberes (eixo 2). A Rainha Nzinga Chegou nos leva ao encontro de antigos reinos banto com suas coroas, séquitos e guardas. Os cosmos singulares de religiões de matrizes africanas e o reinado de Isabel Casimira, Rainha da Guarda de Moçambique Treze de Maio (re)existem. A história é conhecida por alguns: em um fétido porão de mais um navio negreiro cruzando o oceano, havia entre os futuros escravos que desembarcariam no Brasil, um rei africano. Monarca em sua terra trabalhou em todas as parcas horas livres para comprar sua carta de alforria e se livrar do cativeiro. Não parou de trabalhar até libertar seu filho e o restante da tribo. Chico-Rei agora era também católico, devoto de Nossa Senhora do Rosário. Volta a imperar em nova terra, distante do velho continente, e para retribuir a Graça, organiza as festas do Reinado. Já no século XX, Maria Casimira, também conhecida como Vovó Casimira, recebe um chamado divino e funda o Reino Treze de Maio. Com o filme, testemunhamos uma travessia de volta às terras dos reis do Congo. Isabel atravessa o Atlântico em busca de suas raízes e ancestralidade. Com empatia, compartilhamos de seus saberes e da beleza e inventividade de suas descobertas que tanto nos dizem da raiz do povo brasileiro. Pensando o Lugar (eixo 3). A travessia do Atlântico também se dá em Navios de Terra que transporta montanhas de Minas Gerais à China. Neste caso, é a viagem primeira, de degredo. O navio que leva o minério de ferro, leva consigo paisagens inteiras. A paisagem é um direito. Ocupa um lugar identitário, pois desempenha um papel na memória coletiva. Maurice Halbwachs nos conta que, o equilíbrio mental, segundo Auguste Comte, decorre em boa parte da permanência dos lugares, paisagens e objetos, com os quais lidamos diariamente. “É como se fosse uma sociedade silenciosa e imóvel, estranha à nossa agitação e às nossas mudanças de humor que nos dá uma sensação de ordem e quietude.” O lugar recebeu a marca do grupo e vice-versa. Então, todas as ações do grupo podem se traduzir em termos espaciais, e o lugar ocupado por ele é somente a reunião de todos os termos. Cada aspecto, cada detalhe desse lugar em si mesmo tem um sentido que é inteligível apenas para os membros do grupo, porque todas as partes do espaço que ele ocupou correspondem a outro tanto de aspectos diferentes de estrutura e da vida de sua sociedade, ao menos, naquilo que havia nela de mais estável. As montanhas são patrimônio coletivo, pertencem à história, memória e identidade de um povo. “Uma árvore nunca é apenas uma árvore. A natureza não é algo anterior à cultura e independente da história de cada povo.” No filme, Rômulo, marinheiro e ex-minerador, segue levando parte da montanha e, em momentos febris, encontra a memória e o espírito da terra. Em cada árvore, cada rio, cada pedra, estão depositados séculos de memória. Mesmo hoje, num mundo urbano invadido pela ciência e pela técnica, podemos constatar a sobrevivência de mitos que, vez por outra, emergem com toda a força primitiva no cotidiano das pessoas. Navios de Terra é o segundo filme da trilogia de Simone Cortezão (o primeiro é Subsolo) que é parte de sua pesquisa de doutorado. Nele, o deslocamento é em direção à China, país símbolo da pulsação destruidora do grande capital. Deslocado também está o protagonista, à deriva entre mundos. Poderíamos ainda dizer, exilado de uma paisagem que se fora. Pensando a Vida (eixo 4). Exilados também estiveram os personagens de Retratos de Identificação de Anita Leandro. Dois ex-guerrilheiros que lutaram contra a ditadura militar no Brasil se deparam, pela primeira vez, com fotografias tiradas pela polícia no momento de suas respectivas prisões. O passado retorna, com uma história de crimes que ainda não foram julgados. O exílio, as memórias, a dor, a vida. As ligações da história individual ao imediato político e ao agenciamento coletivo da memória do país atravessam o filme de Anita Leandro. Pensar com o filme é interrogar-se sobre a vida e sobre a história do país e seus ocultamentos. Os quatro filmes comportam uma pluralidade de questões. Pensar com os filmes é exercitar um deslocamento de nosso olhar, buscar sensibilizar nossos corpos de espectadores para outras sensibilidades e possibilidades. São muitas as urgências e estamos conscientes da incompletude da proposta. No entanto, confiantes na potência dos desdobramentos. Comissão Organizadora da XI SCAP.

A SCAP – Semana de Ciência, Arte e Política da PUC Minas São Gabriel é um evento elaborado e realizado por todos os cursos e setores da Unidade cujo objetivo principal é investir na formação geral da comunidade acadêmica e externa, promovendo a discussão de temas contemporâneos e interdisciplinares. A partir da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, o evento realiza debates acerca de questões contemporâneas e fundamentais para a formação humana. Em sua décima primeira edição, a SCAP apresenta como desejo de debate um conjunto de assuntos relacionados aos desafios enfrentados no Brasil contemporâneo e a urgência de pensarmos futuros alternativos para o presente. E é a partir deste desejo que chegamos ao tema Cartografia das Urgências: estratégias possíveis. Agora que mais uma barragem de rejeitos de mineradora se rompeu [quantas tragédias mais nós aguentaremos?]; agora que o desmatamento na Amazônia chega a proporções inadmissíveis; agora que as águas dos oceanos estão tomadas por lixo plástico; agora que as geleiras estão a derreter a passos rápidos e incontroláveis; agora que as abelhas e insetos polinizadores estão ameaçados de extinção; agora que não cessam de se manifestar fenômenos climáticos extremos como incêndios florestais, ciclones, inundações, estiagem prolongada; agora que populações inteiras são obrigadas a migrar como vítimas do regime climático e econômico; agora que caminhamos para uma trágica redução da biodiversidade; agora que grupos de pessoas acreditam que a terra é plana, que negam a existência do holocausto durante a Segunda Guerra Mundial e o golpe militar em 1964 no Brasil; é chegada a hora de indagarmos sobre alguns sinais do presente que podem ser decisivos no futuro. A conexão entre as urgências temáticas encontra na arte seu ponto de partida. Escolhemos sobretudo o cinema, entendendo-o como forma de pensamento. Assim como Cezar Migliorin, acreditamos que no mundo hiperpovoado de imagens e clichês, o cinema pensou e produziu intensamente sobre as formas de resistência com as imagens e nos permite, de maneira singular, pensar as narrativas que o transcendem, as formas de vida, as relações subjetivas, o Brasil e o mundo. Entendemos que refletir sobre as urgências, exige-nos não necessariamente o discurso da urgência, mas talvez de outra temporalidade , paciente e inventivo. Para isso, elegemos como centro da reflexão “as garantias de vida” e a sobrevivência de outras formas de vida, a partir de quatro eixos norteadores: a Sociedade, os Saberes, o Lugar e a Vida. Os eixos estão delineados do ponto de vista do humano, mesmo reconhecendo que todos os seres vivos devem ser considerados numa reflexão sobre a vida e a sobrevivência do humano. O cinema pode abrir uma passagem nesta reflexão: Pensando a Sociedade (eixo 1). Packyî e Tamanduá vivem nus com um facão, um machado cego e uma tocha no meio de uma área protegida na Floresta Amazônica, cercada por madeireiros, garimpeiros e fazendeiros. São índios nômades e sobreviventes do povo Piripkura (povo borboleta). E é somente pela presença deles que a área é mantida sobre proteção, mais precisamente sob “restrição de uso”. Jair Candor, servidor da Funai, realiza expedições periódicas para monitorar os vestígios que comprovem a vida deles na floresta. A cada dois anos é preciso justificar a restrição de uso da terra perante a Justiça. E sem a presença deles é muito provável que esta área de floresta ilhada pelo desmatamento provocado pelas madeireiras, pelas fazendas de gado e pelo garimpo, já teria sido destruída. Até onde vão conseguir resistir? Até onde a Funai vai existir e ter condições de proteger a vida destes sobreviventes e da floresta? Esta é a pergunta de Jair Candor, é a pergunta do filme e é também a pergunta do antropólogo Rubem Caixeta. A expedição realizada por Jair em 2016, daria origem ao fascinante e dilacerante documentário Piripkura (de 2017), de Mariana Oliva, Renata Terra e Bruno Jorge, que acompanham a busca da equipe de Candor por vestígios e rastros que pudessem levar ao encontro da equipe de indigenistas com os indígenas. Esse encontro finalmente viria a acontecer quase ao final do filme, e por vontade unilateral dos dois, que saem de seu “isolamento voluntário” na mata da qual conhecem cada centímetro e na qual se “camuflam” com maestria, em busca de fogo para reacenderem a tocha, único artefato que carregam consigo e sempre junto aos corpos completamente nus. E é Jair Candor que conta no filme que a última vez que a tocha de Packyî e Tamanduá se apagou foi há quase 20 anos. É surpreendente e emocionante o encontro do filme com os dois Piripkura que não precisam de nada para viver, apenas da floresta em pé. Como diz Rubem Caixeta, “enquanto existirem [já que seu povo foi quase exterminado], é preciso garantir que existam do jeito que desejam, garantir a floresta na qual eles vivem e, talvez, com isso, sejamos nós, os brancos, que possamos viver um pouco mais, ou empurrar o fim do mundo um pouco mais pra frente.” Pensar com o filme é pensar sobre urgências do presente para um futuro possível. É pensar um mundo onde “tudo é necessário e nada é suficiente”, ou um mundo onde “muito pouco é necessário, quase tudo é suficiente”. O cinema é também um dispositivo de encontros. O “ver junto” na sala escura é deixar-se afetar pelo outro (da tela) e por uma reflexão conjunta (da tela e da sala) que nos mobilize e transforme. Pensando os Saberes (eixo 2). A Rainha Nzinga Chegou nos leva ao encontro de antigos reinos banto com suas coroas, séquitos e guardas. Os cosmos singulares de religiões de matrizes africanas e o reinado de Isabel Casimira, Rainha da Guarda de Moçambique Treze de Maio (re)existem. A história é conhecida por alguns: em um fétido porão de mais um navio negreiro cruzando o oceano, havia entre os futuros escravos que desembarcariam no Brasil, um rei africano. Monarca em sua terra trabalhou em todas as parcas horas livres para comprar sua carta de alforria e se livrar do cativeiro. Não parou de trabalhar até libertar seu filho e o restante da tribo. Chico-Rei agora era também católico, devoto de Nossa Senhora do Rosário. Volta a imperar em nova terra, distante do velho continente, e para retribuir a Graça, organiza as festas do Reinado. Já no século XX, Maria Casimira, também conhecida como Vovó Casimira, recebe um chamado divino e funda o Reino Treze de Maio. Com o filme, testemunhamos uma travessia de volta às terras dos reis do Congo. Isabel atravessa o Atlântico em busca de suas raízes e ancestralidade. Com empatia, compartilhamos de seus saberes e da beleza e inventividade de suas descobertas que tanto nos dizem da raiz do povo brasileiro. Pensando o Lugar (eixo 3). A travessia do Atlântico também se dá em Navios de Terra que transporta montanhas de Minas Gerais à China. Neste caso, é a viagem primeira, de degredo. O navio que leva o minério de ferro, leva consigo paisagens inteiras. A paisagem é um direito. Ocupa um lugar identitário, pois desempenha um papel na memória coletiva. Maurice Halbwachs nos conta que, o equilíbrio mental, segundo Auguste Comte, decorre em boa parte da permanência dos lugares, paisagens e objetos, com os quais lidamos diariamente. “É como se fosse uma sociedade silenciosa e imóvel, estranha à nossa agitação e às nossas mudanças de humor que nos dá uma sensação de ordem e quietude.” O lugar recebeu a marca do grupo e vice-versa. Então, todas as ações do grupo podem se traduzir em termos espaciais, e o lugar ocupado por ele é somente a reunião de todos os termos. Cada aspecto, cada detalhe desse lugar em si mesmo tem um sentido que é inteligível apenas para os membros do grupo, porque todas as partes do espaço que ele ocupou correspondem a outro tanto de aspectos diferentes de estrutura e da vida de sua sociedade, ao menos, naquilo que havia nela de mais estável. As montanhas são patrimônio coletivo, pertencem à história, memória e identidade de um povo. “Uma árvore nunca é apenas uma árvore. A natureza não é algo anterior à cultura e independente da história de cada povo.” No filme, Rômulo, marinheiro e ex-minerador, segue levando parte da montanha e, em momentos febris, encontra a memória e o espírito da terra. Em cada árvore, cada rio, cada pedra, estão depositados séculos de memória. Mesmo hoje, num mundo urbano invadido pela ciência e pela técnica, podemos constatar a sobrevivência de mitos que, vez por outra, emergem com toda a força primitiva no cotidiano das pessoas. Navios de Terra é o segundo filme da trilogia de Simone Cortezão (o primeiro é Subsolo) que é parte de sua pesquisa de doutorado. Nele, o deslocamento é em direção à China, país símbolo da pulsação destruidora do grande capital. Deslocado também está o protagonista, à deriva entre mundos. Poderíamos ainda dizer, exilado de uma paisagem que se fora. Pensando a Vida (eixo 4). Exilados também estiveram os personagens de Retratos de Identificação de Anita Leandro. Dois ex-guerrilheiros que lutaram contra a ditadura militar no Brasil se deparam, pela primeira vez, com fotografias tiradas pela polícia no momento de suas respectivas prisões. O passado retorna, com uma história de crimes que ainda não foram julgados. O exílio, as memórias, a dor, a vida. As ligações da história individual ao imediato político e ao agenciamento coletivo da memória do país atravessam o filme de Anita Leandro. Pensar com o filme é interrogar-se sobre a vida e sobre a história do país e seus ocultamentos. Os quatro filmes comportam uma pluralidade de questões. Pensar com os filmes é exercitar um deslocamento de nosso olhar, buscar sensibilizar nossos corpos de espectadores para outras sensibilidades e possibilidades. São muitas as urgências e estamos conscientes da incompletude da proposta. No entanto, confiantes na potência dos desdobramentos. Comissão Organizadora da XI SCAP.
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A SCAP – Semana de Ciência, Arte e Política da PUC Minas São Gabriel é um evento elaborado e realizado por todos os cursos e setores da Unidade cujo objetivo principal é investir na formação geral da comunidade acadêmica e externa, promovendo a discussão de temas contemporâneos e interdisciplinares. A partir da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, o evento realiza debates acerca de questões contemporâneas e fundamentais para a formação humana. Em sua décima primeira edição, a SCAP apresenta como desejo de debate um conjunto de assuntos relacionados aos desafios enfrentados no Brasil contemporâneo e a urgência de pensarmos futuros alternativos para o presente. E é a partir deste desejo que chegamos ao tema Cartografia das Urgências: estratégias possíveis. Agora que mais uma barragem de rejeitos de mineradora se rompeu [quantas tragédias mais nós aguentaremos?]; agora que o desmatamento na Amazônia chega a proporções inadmissíveis; agora que as águas dos oceanos estão tomadas por lixo plástico; agora que as geleiras estão a derreter a passos rápidos e incontroláveis; agora que as abelhas e insetos polinizadores estão ameaçados de extinção; agora que não cessam de se manifestar fenômenos climáticos extremos como incêndios florestais, ciclones, inundações, estiagem prolongada; agora que populações inteiras são obrigadas a migrar como vítimas do regime climático e econômico; agora que caminhamos para uma trágica redução da biodiversidade; agora que grupos de pessoas acreditam que a terra é plana, que negam a existência do holocausto durante a Segunda Guerra Mundial e o golpe militar em 1964 no Brasil; é chegada a hora de indagarmos sobre alguns sinais do presente que podem ser decisivos no futuro. A conexão entre as urgências temáticas encontra na arte seu ponto de partida. Escolhemos sobretudo o cinema, entendendo-o como forma de pensamento. Assim como Cezar Migliorin, acreditamos que no mundo hiperpovoado de imagens e clichês, o cinema pensou e produziu intensamente sobre as formas de resistência com as imagens e nos permite, de maneira singular, pensar as narrativas que o transcendem, as formas de vida, as relações subjetivas, o Brasil e o mundo. Entendemos que refletir sobre as urgências, exige-nos não necessariamente o discurso da urgência, mas talvez de outra temporalidade , paciente e inventivo. Para isso, elegemos como centro da reflexão “as garantias de vida” e a sobrevivência de outras formas de vida, a partir de quatro eixos norteadores: a Sociedade, os Saberes, o Lugar e a Vida. Os eixos estão delineados do ponto de vista do humano, mesmo reconhecendo que todos os seres vivos devem ser considerados numa reflexão sobre a vida e a sobrevivência do humano. O cinema pode abrir uma passagem nesta reflexão: Pensando a Sociedade (eixo 1). Packyî e Tamanduá vivem nus com um facão, um machado cego e uma tocha no meio de uma área protegida na Floresta Amazônica, cercada por madeireiros, garimpeiros e fazendeiros. São índios nômades e sobreviventes do povo Piripkura (povo borboleta). E é somente pela presença deles que a área é mantida sobre proteção, mais precisamente sob “restrição de uso”. Jair Candor, servidor da Funai, realiza expedições periódicas para monitorar os vestígios que comprovem a vida deles na floresta. A cada dois anos é preciso justificar a restrição de uso da terra perante a Justiça. E sem a presença deles é muito provável que esta área de floresta ilhada pelo desmatamento provocado pelas madeireiras, pelas fazendas de gado e pelo garimpo, já teria sido destruída. Até onde vão conseguir resistir? Até onde a Funai vai existir e ter condições de proteger a vida destes sobreviventes e da floresta? Esta é a pergunta de Jair Candor, é a pergunta do filme e é também a pergunta do antropólogo Rubem Caixeta. A expedição realizada por Jair em 2016, daria origem ao fascinante e dilacerante documentário Piripkura (de 2017), de Mariana Oliva, Renata Terra e Bruno Jorge, que acompanham a busca da equipe de Candor por vestígios e rastros que pudessem levar ao encontro da equipe de indigenistas com os indígenas. Esse encontro finalmente viria a acontecer quase ao final do filme, e por vontade unilateral dos dois, que saem de seu “isolamento voluntário” na mata da qual conhecem cada centímetro e na qual se “camuflam” com maestria, em busca de fogo para reacenderem a tocha, único artefato que carregam consigo e sempre junto aos corpos completamente nus. E é Jair Candor que conta no filme que a última vez que a tocha de Packyî e Tamanduá se apagou foi há quase 20 anos. É surpreendente e emocionante o encontro do filme com os dois Piripkura que não precisam de nada para viver, apenas da floresta em pé. Como diz Rubem Caixeta, “enquanto existirem [já que seu povo foi quase exterminado], é preciso garantir que existam do jeito que desejam, garantir a floresta na qual eles vivem e, talvez, com isso, sejamos nós, os brancos, que possamos viver um pouco mais, ou empurrar o fim do mundo um pouco mais pra frente.” Pensar com o filme é pensar sobre urgências do presente para um futuro possível. É pensar um mundo onde “tudo é necessário e nada é suficiente”, ou um mundo onde “muito pouco é necessário, quase tudo é suficiente”. O cinema é também um dispositivo de encontros. O “ver junto” na sala escura é deixar-se afetar pelo outro (da tela) e por uma reflexão conjunta (da tela e da sala) que nos mobilize e transforme. Pensando os Saberes (eixo 2). A Rainha Nzinga Chegou nos leva ao encontro de antigos reinos banto com suas coroas, séquitos e guardas. Os cosmos singulares de religiões de matrizes africanas e o reinado de Isabel Casimira, Rainha da Guarda de Moçambique Treze de Maio (re)existem. A história é conhecida por alguns: em um fétido porão de mais um navio negreiro cruzando o oceano, havia entre os futuros escravos que desembarcariam no Brasil, um rei africano. Monarca em sua terra trabalhou em todas as parcas horas livres para comprar sua carta de alforria e se livrar do cativeiro. Não parou de trabalhar até libertar seu filho e o restante da tribo. Chico-Rei agora era também católico, devoto de Nossa Senhora do Rosário. Volta a imperar em nova terra, distante do velho continente, e para retribuir a Graça, organiza as festas do Reinado. Já no século XX, Maria Casimira, também conhecida como Vovó Casimira, recebe um chamado divino e funda o Reino Treze de Maio. Com o filme, testemunhamos uma travessia de volta às terras dos reis do Congo. Isabel atravessa o Atlântico em busca de suas raízes e ancestralidade. Com empatia, compartilhamos de seus saberes e da beleza e inventividade de suas descobertas que tanto nos dizem da raiz do povo brasileiro. Pensando o Lugar (eixo 3). A travessia do Atlântico também se dá em Navios de Terra que transporta montanhas de Minas Gerais à China. Neste caso, é a viagem primeira, de degredo. O navio que leva o minério de ferro, leva consigo paisagens inteiras. A paisagem é um direito. Ocupa um lugar identitário, pois desempenha um papel na memória coletiva. Maurice Halbwachs nos conta que, o equilíbrio mental, segundo Auguste Comte, decorre em boa parte da permanência dos lugares, paisagens e objetos, com os quais lidamos diariamente. “É como se fosse uma sociedade silenciosa e imóvel, estranha à nossa agitação e às nossas mudanças de humor que nos dá uma sensação de ordem e quietude.” O lugar recebeu a marca do grupo e vice-versa. Então, todas as ações do grupo podem se traduzir em termos espaciais, e o lugar ocupado por ele é somente a reunião de todos os termos. Cada aspecto, cada detalhe desse lugar em si mesmo tem um sentido que é inteligível apenas para os membros do grupo, porque todas as partes do espaço que ele ocupou correspondem a outro tanto de aspectos diferentes de estrutura e da vida de sua sociedade, ao menos, naquilo que havia nela de mais estável. As montanhas são patrimônio coletivo, pertencem à história, memória e identidade de um povo. “Uma árvore nunca é apenas uma árvore. A natureza não é algo anterior à cultura e independente da história de cada povo.” No filme, Rômulo, marinheiro e ex-minerador, segue levando parte da montanha e, em momentos febris, encontra a memória e o espírito da terra. Em cada árvore, cada rio, cada pedra, estão depositados séculos de memória. Mesmo hoje, num mundo urbano invadido pela ciência e pela técnica, podemos constatar a sobrevivência de mitos que, vez por outra, emergem com toda a força primitiva no cotidiano das pessoas. Navios de Terra é o segundo filme da trilogia de Simone Cortezão (o primeiro é Subsolo) que é parte de sua pesquisa de doutorado. Nele, o deslocamento é em direção à China, país símbolo da pulsação destruidora do grande capital. Deslocado também está o protagonista, à deriva entre mundos. Poderíamos ainda dizer, exilado de uma paisagem que se fora. Pensando a Vida (eixo 4). Exilados também estiveram os personagens de Retratos de Identificação de Anita Leandro. Dois ex-guerrilheiros que lutaram contra a ditadura militar no Brasil se deparam, pela primeira vez, com fotografias tiradas pela polícia no momento de suas respectivas prisões. O passado retorna, com uma história de crimes que ainda não foram julgados. O exílio, as memórias, a dor, a vida. As ligações da história individual ao imediato político e ao agenciamento coletivo da memória do país atravessam o filme de Anita Leandro. Pensar com o filme é interrogar-se sobre a vida e sobre a história do país e seus ocultamentos. Os quatro filmes comportam uma pluralidade de questões. Pensar com os filmes é exercitar um deslocamento de nosso olhar, buscar sensibilizar nossos corpos de espectadores para outras sensibilidades e possibilidades. São muitas as urgências e estamos conscientes da incompletude da proposta. No entanto, confiantes na potência dos desdobramentos. Comissão Organizadora da XI SCAP.

Language:

Portuguese


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SCAP 2019 – Mesa de discussão sobre o filme Retratos de Identificação, com Roberta Veiga, Maria de Lourdes Gouveia e Robson Sávio

9/5/2019
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Longa metragem: Retratos de Identificação (Brasil, 2014, cor, 71 minutos), direção de Anita Leandro. Na ditadura militar, presos políticos eram fotografados em diferentes situações: desde investigações e prisões até em torturas, exames de corpo de delito e necropsias. No filme, dois sobreviventes à tortura veem, pela primeira vez, as fotografias …

Duration:01:32:19

SCAP 2019 – Mesa de discussão sobre o filme A Rainha Nzinga Chegou, com Isabel Casimira, Júnia Torres, Íris Amâncio, Célia Gonçalves Souza e João Carlos Pio

9/4/2019
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Longa metragem: A Rainha Nzinga Chegou (Brasil/Angola, 2018, cor, 74 minutos), direção de Júnia Torres e Isabel Casimira Gasparino. Três gerações de rainhas e uma travessia de volta aos domínios da mítica Nzinga, às terras dos reis do Congo, aos cantos de Angola, pelos descendentes da rainha da Guarda de …

Duration:01:55:19

SCAP 2019 – Mesa de discussão sobre o filme Navios de Terra, com Simone Cortezão, Roberto Andrés e Armindo Teodósio

9/4/2019
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Longa metragem: Navios de Terra (Brasil, 2017, cor, 70 minutos), direção de Simone Cortezão. Há anos a montanha é deslocada entre dois países: Brasil e China. Rômulo, ex-minerador e agora marinheiro, segue levando parte da montanha e vai ao encontro de outra. Na imensidão do mar, ele conhece outros viajantes …

Duration:01:59:42

SCAP 2019 – Lançamento da revista Pista e Anais da SCAP: Brasil em Transe

9/3/2019
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Lançamento da publicação Anais da SCAP: Brasil em Transe. Com textos de Ivana Bentes, Robson Sávio, João Carlos Lino Gomes, Pe. Márcio Antônio de Paiva, Bruno Vasconcelos de Almeida. Poesia de Breno Bede. Fotografias de Filipe Chaves e Luís Siqueira. Organização e edição de Elisa Rezende. Projeto gráfico e diagramação …

Duration:00:04:53

Scap 2018 – “Branquinho, o esquimó valente” da oficina de rádio do Projeto Sintonia Jovem

9/11/2018
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A décima edição da SCAP recebe os jovens do projeto Sintonia Jovem da instituição CEDUC Virgílio Resi para uma oficina de rádio ministrada pelo jornalista Ranier Deivid Alves.

Duration:00:04:16

Scap 2018 – “Possibilidades e constrangimentos da era digital: novos fluxos comunicativos, novas práticas criativas e nem tão novas dinâmicas de poder”

9/6/2018
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Conferência “Possibilidades e constrangimentos da era digital: novos fluxos comunicativos, novas práticas criativas e nem tão novas dinâmicas de poder” com Ana Carolina Vimieiro. Resumo: A conferência buscará detalhar as possibilidades e os constrangimentos que as novas tecnologias têm criado para práticas mais democráticas de participação na cultura. Através de exemplos e estudos …

Duration:01:31:36

Scap 2018 – “Como inovação e criatividade podem gerar novas oportunidades” com Marcella Rocha

9/6/2018
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Resumo: Os choques promovem inovações, a mudança ocorre quando as pessoas ou organizações alcançam o limiar da oportunidade ou da insatisfação. A crise econômica que o Brasil enfrenta nos força a sair da zona de conforto, buscar o autodesenvolvimento e traçar caminhos criativos para outras oportunidades. Conferencista Marcella Rocha – CEO da …

Duration:01:18:33

Scap 2018 – “Economia Circular: um modelo de desenvolvimento sustentável” com Wagner Costa Soares

9/6/2018
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A segunda conferência do dia 04 de setembro de 2018 trouxe o tema “Economia Circular: um modelo de desenvolvimento sustentável” com Wagner Costa Soares. Wagner Costa Soares – Engenheiro Agrônomo pela UFL. Pós-Graduação em Gestão Ambiental pelo IETEC. Especialista em Produção mais Limpa pelo SENAI RS. Gerente de Meio Ambiente da FIEMG. …

Duration:01:16:09

Scap 2018 – “Criatividade e Empreendedorismo para um Mundo Melhor” com Adalberto Carvalho de Rezende

9/6/2018
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Conferência realizada no dia 04 de setembro de 2018 com o tema “Criatividade e Empreendedorismo para um Mundo Melhor” no teatro da PUC Minas São Gabriel. Conferencista: Adalberto Carvalho de Rezende.Engenheiro Civil e pós-graduado em Elementos Finitos pela UFMG onde é professor da Escola de Engenharia e pesquisador de fontes alternativas de …

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Scap 2018 – Abertura da X SCAP “BRASIL EM TRANSE: Democracia, tecnologia e direitos humanos”

9/5/2018
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Confira a abertura da X SCAP com a conferência magna: “Mídia e Democracia: Cidadãos-robôs e robôs-cidadãos”. O evento contou com Ivana Bentes por videoconferência no teatro da PUC Minas São Gabriel.f Resumo: Economia da atenção, sociabilidades em redes. Regimes de produção de verdades. Algoritmos, big data e produção de subjetividade. Cidadãos-robôs e …

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SCAP 2018 – “Música da Hora” da oficina de rádio do Projeto Sintonia Jovem

9/4/2018
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A décima edição da SCAP recebe os jovens do projeto Sintonia Jovem da instituição CEDUC Virgílio Resi para uma oficina de rádio ministrada pelo jornalista Ranier Deivid Alves.

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SCAP 2017 – “Sociabilidade na contemporaneidade: porque os tempos estão mudando” e “Startup Road Show” com José Luiz de Magalhães e empreendedores de startups

9/8/2017
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Sociabilidade na contemporaneidade: porque os tempos estão mudando Refletir, numa perspectiva histórico-crítica, sobre a sociabilidade na contemporaneidade, destacando os atravessamentos político-ideológicos presentes nos conflitos de poder enfrentados nos tempos atuais. José Luiz Quadros de Magalhães. Possui doutorado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (1996) e mestrado em Direito …

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SCAP 2017 – “Virtualidade e subjetividade na contemporaneidade” e “Facebook e seus discursos sobre amizade”, com Nádia Laguárdia de Lima e Samara Sousa Diniz Soares

9/5/2017
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“Virtualidade e subjetividade na contemporaneidade” A conferência discute o efeito da virtualidade na construção dos processos de subjetivação na contemporaneidade, sinalizando as potencialidades e os desafios engendrados pela experiência humana mediada pelos meios virtuais. Nádia Laguárdia de Lima. Pós-doutorado em Teoria Psicanalítica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Doutorado …

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SCAP 2017 – Abertura da IX SCAP e Conferência Magna: Mutações Contemporâneas

9/5/2017
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Lançamento da publicação Anais da SCAP: Podemos Viver Juntos. Com textos de Vladimir Safatle, Laura Alves de Oliveira, Marta Neves, José Carlos Carvalho e Marília Carvalho de Melo. Fotografias de Tatiane Motta. Organização e edição de Elisa Rezende, projeto gráfico e diagramação de Dulce Albarez e revisão de Mario Viggiano. …

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SCAP 2017 – IV rEvolução Industrial, A Sociedade em Rede e O Futuro do Trabalho, com Mauro Carrusca e João Bosco Laudares

9/4/2017
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Tomando como base teórica a obra de Manuel Castells, A Sociedade em Rede, a conferência fala sobre como o novo paradigma informacional está mudando a forma como vivemos em sociedade. Aqui você ouve na íntegra a palestra apresentada pelos conferencistas Mauro Carrusca e João Bosco Laudares. Mauro Carrusca. Especialista em …

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SCAP 2016 – Convivendo melhor com as diferenças, com Ary Fernando Rodrigues Nascimento

9/13/2016
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A lei brasileira de inclusão da pessoa deficiente, Lei 13146/15, também conhecida por Estatuto da Pessoa com Deficiência, ao entrar em vigor em janeiro de 2016, trouxe uma série de direitos e deveres para todas as pessoas que interagem nesse universo, deficientes ou não. Conviver sob a égide desse novo …

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SCAP 2016 – Questões de gênero: narrativas de vida e resistência, com Thatiane Mátia, Eduardo Salabert e Tiffany

9/10/2016
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Os convidados apresentaram a realidade que enfrentam como pertencentes a grupos ainda socialmente minoritários: as violências sofridas, os preconceitos de que são alvos, os desafios e dificuldades de seus cotidianos. Abordaram, ainda, a necessidade de se dar visibilidade às suas causas, chamando atenção para a importância de se lutar contra a …

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SCAP 2016 – Delação premiada: Compromisso colaborativo de combate à criminalidade, com André Estevão Ubaldino

9/8/2016
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Em tempos de combate à corrupção, em nossa sociedade, faz-se necessário discutir e debater as técnicas necessárias que o Estado possui para a efetivação de se prestar informações úteis ao esclarecimento do fato delituoso. Conferencista: André Estevão UbaldinoPossui graduação em Direito pela Faculdade de Direito Professor Milton Campos(1984), mestrado em …

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SCAP 2016 – A força política dos movimentos populares, com Frederico Santana Rick e Tatiana Ribeiro de Souza

9/8/2016
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A conferência abordou os desafios na construção de um Brasil justo e democrático e o papel dos movimentos populares para um projeto de país. Conferencistas: Frederico Santana RickÉ cientista social formado pela UFMG, mestrando em ciência política pela PUC Minas. Integra o Núcleo de Estudos Sócio Políticos da PUC Minas – …

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SCAP 2016 – Minas! O lugar certo para Inovar, com Roberto Maia Rosenbaum

9/8/2016
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A apresentação foi composta pelo cenário propício para a ciência, a tecnologia, a inovação e o empreendedorismo no estado de Minas Gerais. Conferencista: Roberto Maia RosenbaumFormado em Administração de Empresas pela Universidade Mackenzie, em São Paulo. 20 anos de atuação como Consultor em Empreendedorismo, Encubadoras de Empresas, Parques Tecnológicos, Arranjos Produtivos …

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